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Espécies em Anel

  • 6 de jun. de 2014
  • 2 min de leitura


Este artigo discute genética e ecologia (adoro!) na especiação de um complexo de espécies de salamandras nos EUA. Há casos em que, para a especiação acontecer, as populações não precisam romper todo o fluxo entre si, mantendo uma zona híbrida (algo entre a simpatria e a parapatria). Estamos falando de uma disposição contínua das espécies no espaço físico sem uma ruptura brusca que marca os limites genéticos como se houvesse muros entre elas.


Pode ser que a seleção atue contra os indivíduos híbridos e os elimine, de forma que as espécies caminharão rapidamente para o isolamento completo, ou pode ser que os híbridos sejam tão viáveis quanto qualquer outro, e aí as "quase" espécies (digo, quase isoladas) voltem a se homogeneizar (numa única espécie).


Estas salamadras pertencem ao gênero Ensatina, e neste caso, são um complexo de espécies: um conjunto que ainda não apresenta diferenciação total. Nesta região essas espécies estão em quase-anel: elas possuem híbridos ao longo da sua distribuição, exceto no final, onde as duas extremidades se encontram. Ali sim, as espécies são definitivamente diferenciadas por isolamento reprodutivo.


Muitas forças atuam neste fenômeno, incluside as geológicas. A topografia da região mudou muito ao longo dos últimos 5 milhões de anos (mioceno tardio), fazendo com que ora os indivíduos dispersem, ora se restrinjam a certos ambientes. Ao conquistar novos ambientes, eles encontraram diferentes pressões ecológicas, que geraram as adaptações como estratégias para evitar a predação e coloração da pele. Mas geneticamente elas não se diferenciaram tanto assim.


As subespécies são geneticamente próximas, poderiam reproduzir entre si, mas como vivem em ambientes muito diferentes, se um híbrido aparecer com uma outra coloração pela área ele provavelmente será eliminado pela seleção natural. Eles são perfeitamente viáveis, mas só por serem mestiços, podem correr riscos maiores. Sacanagem, né? Viu como o ambiente é importante no curso da especiação, e como a barreira do isolamento reprodutivo pode ser ecológica (e não física)?


Os autores reconhecem esse padrão como "Especiação ecológica", que como nós já vimos, reflete uma especiação incompleta. Eventualmente elas poderão se diferenciar de forma definitiva, mas isso pode demorar muito mais tempo do que em outros casos, e as espécies poderão preservar em seu genoma características em comum naquelas regiões onde estão genes que não sofreram pressões seletivas.


A biologia é fantástica!

Este artigo pode ser ainda muito mais explorado, mas isso daria muito mais assunto! Esperamos ter atingido o objetivo de despertar o seu interesse pela ciência, e quem sabe incrementar seu desempenho no seu curso! Qualquer dúvida, entre em contato!


Equipe CPS.



Imagem obtida do artigo (Pereira et al, 2011)

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Espírito Santo, Brazil

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